terça-feira, 30 de julho de 2019

Bem Estar Animal, Pecuária, Cavalos


Construindo um cavalo Marchador diferenciado

O Haras das 8 Virtudes de Amparo/SP completa, em 2019, seus 15 anos de trabalhos fundamentados na busca do cavalo Mangalarga Marchador ideal, que expressem as oito virtudes-bases da criação: vontade, inteligência, rusticidade, temperamento, utilidade, docilidade, elegância e suavidade. A conquista da revalidação do Programa Sela Verde consagra este objetivo!


Desenvolver um projeto de criação de Mangalarga Marchador fundamentado na busca do conhecimento, no contato direto com os cavalos no dia-a-dia e, principalmente, na prática frequente da equitação em situações variadas: de trabalho, esporte e lazer, foram as diretrizes do criador Ricardo Bacellar Wuerkert, ao estabelecer as bases do trabalho no haras, iniciado em Amparo/SP no ano 2004. “A visão inspiradora foi a de criar um cavalo ideal para cavalgadas longas, em lugares bonitos, com alguma dose de aventura e desafios pelo caminho mas, principalmente, um grande companheiro de momentos especiais, de paz, integração com a natureza e satisfação genuína!”, recorda Bacellar.

Ao longo dos anos e da construção de um criatório no qual o cavalo é o protagonista, sempre enfatizando como premissa principal o respeito à natureza de cada animal desde o seu nascimento, o Haras das 8 Virtudes foi escolhido em 2013 para participar da certificação Sela Verde, o 1º Selo Equestre do mundo, recebendo então a primeira certificação no Brasil nesta capacitação. De acordo com Rodrigo Sarkis Costa, consultor de bem-estar animal do Programa Sela Verde, uma seleção zootécnica baseada em resultados artificiais não é ideal. “O criador compra um campeão ou campeã e não agrada. O selecionador atento e instruído deve estar de olho em outras modalidades equestres que possam demonstrar o acerto em suas escolhas”, pontua. Em suma, o Sela Verde visa incentivar boas práticas de manejo, considerando o bem-estar dos cavalos em primeiro lugar, a preservação ambiental e a responsabilidade social nas fazendas de equinos do Brasil. O ciclo obrigatório para a certificação acontece, no mínimo, durante três anos e envolve diversas etapas. Apenas três haras no Brasil conquistaram esta certificação até o momento, sendo o Haras das 8 Virtudes o primeiro deles, tornando-se “centro de referência”, para que a empresa de certificação possa continuar os demais processos. Os outros dois haras situam-se em Jarinu/SP e Grão Mogol/MG.

Revalidação em 2018

Após a certificação inicial de 2013, o Haras das 8 Virtudes foi constantemente acompanhado e participou de diversos estudos sobre treinamentos e cavalgadas. Ano passado, em julho de 2018, recebeu a Revalidação. O ciclo para a recertificação foi maior do que o previsto pelo Programa em função de atividades extra-curriculares realizadas pelo Haras e incentivadas pelo proprietário. “A propriedade toda evoluiu como pastagem e ambiente natural. É possível observar áreas de preservação, fontes de agua preservadas, parte de baixo harmonizada com plantação de bambu e banana pra evitar erosão, os cursos naturais de água são cercados; além disso, os cavalos passam por bebedouros no piquete, não tendo mais acesso direto à água natural para não ocorrer contaminação, possibilitando que ela possa ser aproveitada para irrigação e consumo humano”, destacou o consultor, complementando que Ricardo traz para o Haras, constantemente, profissionais de renome para trabalhar com os animais, o que influencia positivamente nos princípios do Sela Verde, diminuindo os custos da propriedade e otimizando o ambiente, além de reforçar a harmonia da relação “homensXcavalos”, melhorando o desempenho do animal de forma confortável e satisfatória.

“Esta conquista é uma alegria imensa, pois confirma que estamos trilhando os caminhos certos na criação de cavalos que alcancem nossos objetivos de desempenho e satisfaçam pessoas em busca de cavalos com as características V8” finaliza Bacellar.


Fonte: Matriz da Comunicação Assessoria
Luciene Gazeta - Jornalista | Relações Públicas
Whatsapp: (15) 99112-0989

 





Fotos: Ney Messi - Paula da Silva - Arquivo Sela Verde 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Pecuária, Ciência, Biotecnologia, Cavalos


Genética Equina: Brasil já colhe frutos da técnica de ICSI.

A ICSI é uma biotecnologia moderna que otimiza a utilização do sêmen equino e, já disponível comercialmente no Brasil, posiciona o país como uma potência no cenário da equideocultura global.

Veterinário realiza a aspiração folicular
A reprodução de animais de alto valor genético por meio da técnica ICSI era oferecida, até pouco tempo, por apenas 5 laboratórios em todo o mundo, localizados nos EUA e Europa. No Brasil, essa técnica pioneira também já está disponível comercialmente para os criatórios de equinos de todo país, através da empresa In Vitro Brasil Clonagem, que se dedica desde 2014 ao estudo e desenvolvimento da ICSI, sob o comando do embriologista Marc Maserati e da médica veterinária Perla Fleury.

A ICSI – sigla que abrevia, em inglês, Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide – produz embriões in vitro a partir de uma injeção de um único espermatozoide dentro de cada óvulo. De acordo com Perla Fleury, “na inseminação artificial convencional, necessitamos de um mínimo de 150 milhões de espermatozoides viáveis, enquanto na ICSI só precisamos de 1. Sendo assim, essa técnica tem a vantagem de permitir a produção de gestações utilizando um sêmen de baixa qualidade, ou raro, ou ainda de alto custo, como é o caso de sêmen congelado comercializado por palheta”. Ela ressalta, complementando que a tecnologia também possibilita a produção de embriões de éguas, que não respondem mais à técnica convencional de transferência de embriões por diversos problemas reprodutivos.

O processo ocorre em quatro etapas: inicialmente é realizada a aspiração folicular das éguas, recuperando os óvulos; o segundo processo é a maturação in vitro, ou seja, o preparo do óvulo até o ponto de fertilização; em seguida, os óvulos maduros recebem uma injeção de um único espermatozoide, dando a eles o potencial de se transformar em embriões, o que ocorre em até 8 dias. A porcentagem final de embriões produzidos é de 20%.

Financeiramente falando, a veterinária calcula que, para a produção de uma gestação através da ICSI, o criador investe em torno de R$ 19.000,00. No entanto, o valor é baixo se comparado ao alto ganho genético em seu criatório, bem como a possibilidade de viabilizar o uso de garanhões de alto mérito nos EUA e Europa, onde a técnica já é uma realidade. Devido ao alto custo das palhetas de sêmen desses animais, a reprodução deles no Brasil era, até então, praticamente inviável através das biotecnologias convencionais.

Perla já contabiliza 34 potros nascidos pela técnica e mais 98 gestações em andamento, o que nos posiciona como país líder na América Latina. Além disso, a médica enfatiza a realização de um curso de aspiração folicular em éguas para 22 médicos veterinários, ocorrido no final de 2018 e já com nova turma para ocorrer em 2019. “Nosso objetivo é que esses veterinários e outros possam ser capacitados adequadamente para o primeiro passo de coleta dos óvulos e, em consequência, possam então contar com os serviços do laboratório para assim atender a demanda de seus clientes”, finaliza.

Com a palavra, o criador:
O criador de cavalos da raça Quarto-de-Milha, Rodrigo Costa Henriques, do RH Ranch de Campos dos Goytacazes/ RJ, investe na ICSI há dois anos em seu criatório, com o objetivo de utilizar sêmen de equinos com carga genética importante, porém, com limitações reprodutivas. “Quero valorizar esses animais através da ICSI, otimizando uma quantidade pequena de sêmen e venho considerando o resultado bastante promissor. Recomendo a técnica em criatórios que desejam investir em cavalos de aspecto genético diferenciado”, ele complementa. Outro criador que já faz uso da técnica há 2 anos é Philip Reisinger, do criatório Fazenda Delta de Porto Feliz/SP, que conheceu de perto a realidade dessa técnica nos EUA há 5 anos. “Sou um grande fã da ICSI e acredito que é uma tendência que veio para ficar, pois abre a possibilidade de resgatar gerações diferenciadas de décadas atrás. Ou seja, todo criador que tenha algum sêmen raro, ou com égua em idade avançada e que não tenha mais o ciclo completo, considero a melhor opção para colher frutos e continuar trabalhando com essa genética”, complementa.

SOBRE A IN VITRO

Empresa brasileira, a In Vitro Brasil Clonagem Animal SA, sediada em Mogi Mirim (SP), foi fundada em 2005 e desde então se dedica aos trabalhos de armazenamento celular de grandes e pequenos animais, clonagem de bovinos e equinos, além da técnica de produção in vitro de embriões equinos pela inovadora técnica de ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide). A empresa trabalha para preservar e prolongar a contribuição genética dos melhores animais no projeto de plantéis e rebanhos de grande importância na cadeia do agronegócio. www.invitroclonagem.com.br



Equipe de Médicos Veterinários capacitados realizam a aspiração folicular das éguas





 Preparo dos óvulos para ICSI


Um dos potros nascidos da técnica de ICSI no Brasil



  A médica veterinária Perla Fleury


O embriologista Marc Maserati